Seletividade alimentar: como famílias e profissionais da saúde podem lidar?

A seletividade alimentar é um grande desafio para papais e mamães que precisam lidar com criança que aceita poucos tipos de alimentos.

Quando chegam ao consultório do nutricionista, ou do pediatra, esses pais normalmente já fizeram diversas tentativas para que os filhos tenham uma alimentação mais saudável e diversificada.

Neste artigo, quero abordar como o profissional de saúde pode atuar junto da família ao resolver problemas de crianças muito seletivas na hora de comer.

Características da seletividade alimentar

A seletividade alimentar costuma atingir crianças e adultos. No entanto, para os dois grupos, conta com características em comum:

  • Dar preferência a alimentos com cores específicas;
  • Evitar alimentos com cores, sabores ou texturas particulares;
  • Aversão a determinados grupos alimentares;
  • Enjoos diante de novos alimentos;
  • A criança fecha a boca e diz que não vai comer de nenhuma maneira.

Nem sempre a criança seletiva apresenta problemas de baixo peso ou mesmo sobrepeso. Porém, no longo prazo, correm o risco de desenvolver essas e outras doenças.

A atenção à família: o primeiro passo

Os casos de seletividade alimentar na infância costumam ser extremamente trabalhosos.

Essa família, provavelmente, já ouviu bastante sobre a importância da alimentação saudável. No entanto, quando não é possível dialogar com a criança e nada é negociável, uma alta dose de paciência é necessária.

A família já sofre com os efeitos que a seletividade alimentar tem sobre a vida social.

Por isso, o primeiro passo é ouvir atentamente como essa seletividade alimentar vem se manifestando. E isso inclui perguntar:

  • Quais alimentos específicos a criança aceita;
  • Se existem horários específicos para aceitar alimentos;
  • Se ela só come determinada marca, ou conta com outras manias;
  • Se prefere comer alimentos de uma cor específica.

A partir dessas informações, é possível traçar metas para essa criança ter uma alimentação mais diversificada.

Traçar metas que possam ser executadas

De nada adianta prescrever uma dieta que a criança não vai seguir.

Muitos pais chegam até o meu consultório desanimados, afinal, após relatarem constantemente as dificuldades relacionadas à seletividade alimentar, recebem orientações que não funcionam.

Oras, de que adianta tentar oferecer um prato de salada para uma criança que só aceita comer batatas?

Diante do diagnóstico, reunindo todas as informações sobre a rotina alimentar da criança, o profissional de saúde pode auxiliar a desenhar estratégias com pequenas metas que levem a uma alimentação mais saudável.

Por exemplo: se a criança só aceita purê de batatas, é possível fazer tentativas de introduzir alimentos na mesma consistência. Ela pode resistir diante de opções de alimentos mais duros, porém, aceitar purê de mandioquinha, moranga, entre outros.

Quando a criança só come batatas, por exemplo, pode ser a mesma situação: oferecer outros tipos de batatas e alimentos relacionados.

A chance dessa criança aceitar o alimento é muito maior. Aos poucos, novas opções podem entrar no cardápio.

A criança não vai aceitar brócolis na primeira semana quando está sendo alimentada à base de mamadeiras.

Mas, se ela for apresentada ao brócolis após passar por outros alimentos verdes, 

O que nunca devemos fazer?

Acredito que existem alguns erros que profissionais cometem com a família e as crianças e jamais deviam ser cometidos.

O primeiro deles está relacionado a esperar que a criança fique com fome e não ofereça nada além do que foi prescrito na dieta.

É importante exercitar a sensibilidade em relação à família. Já atendi casais que receberam como orientação não deixar que a criança fosse alimentada com a mamadeira porque quando sentisse fome, aceitaria o novo cardápio.

No entanto, a chance dessa criança comer é muito baixa.

Deixar de comer é muito pior do que alimentar-se com aqueles alimentos que não são adequados à sua saúde.

Também não é interessante receber essa família com julgamentos.

Eles já estão cansados dos olhares preconceituosos.

Assim, acabam descontando toda essa frustração na criança e acabam taxando como “a criança que não come”.

O que acontece?

Essa criança cresce rotulada como aquela que “come mal” e torna-se cada vez mais disso!

Por isso, não é nada saudável falar dessa maneira com a criança, por mais resistente que seja.

Uma avaliação completa é o primeiro passo para resolver a seletividade alimentar

Antes de mais nada, a criança precisa ser avaliada em sua totalidade.

É bem provável que, por estar constantemente alimentada sem nutrientes suficientes, seja importante administrar a suplementação supervisionada por uma equipe multidisciplinar de saúde.

Em seguida, a reeducação alimentar pode ser conduzida com muito mais tranquilidade e segurança. Cada pequeno avanço é uma verdadeira vitória para essa criança e sua família, afinal, é assim que irão proporcionar uma alimentação mais nutritiva e favorável ao desenvolvimento.

Espero ter ajudado a compreender a seletividade alimentar de forma que pais e profissionais da saúde entendam que, apesar dos desafios, é possível contornar essa situação.